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CITeB na PB/ Representantes da prefeitura de Biguaçu e CITeB visitam Escola dos Sonhos na Paraíba

Atualizado: 9 de fev. de 2023


(Foto Pedro Nau: Encontro de representantes da prefeitura de Biguaçu, CITeB, PaqtcPB e gestores da Escola dos Sonhos)


No município de Bananeiras, zona rural da Paraíba, está a Escola Nossa Senhora do Carmo. Ou Escola dos Sonhos, como preferem os alunos e sua comunidade. O projeto nasceu da inspiração da madre carmelita Teresinha, cujo primeiro passo foi a Sala do Lavrador para alfabetização adulta rural. A partir daí muita coisa mudou. E para melhor.


Para o Secretário de Agricultura, Pesca e Aquicultura de Biguaçu, Pedro de Aquino Nau, “ter conhecido a Escola dos Sonhos, com um ensino totalmente diferente, a palavra que define o sentimento é motivação. Eu que trabalho no interior, nasci na roça, e hoje estou Secretário de Agricultura, sei o quanto é importante ter ensino de qualidade no meio rural. E a Escola dos Sonhos vem com essa proposta”, explica.


Enquanto que para a Diretora de Agricultura, Pesca e Aquicultura de Biguaçu, Alice Marçal Momm, foi fascinante conhecer o projeto e o grupo gestor. “É um modelo muito próprio para a nossa realidade. Hoje a nossa cidade não tem escolas no meio rural e essa escola não tem séries, possui um formato diferenciado inspirado em Paulo Freire que é uma pedagogia renomada. Muito mais reconhecida fora do que dentro do país”, pontua.


O Superintendente da Fundação Centro de Inovação e Tecnologia de Biguaçu, Sr. João Braz da Silva, explica a participação nesse encontro. “O CITeB foi criado para permitir a realização dos sonhos sonhados e que são desejados na sua realização pela população de Biguaçu. Criar pontes é a principal missão da nossa instituição”.


De uma sala para uma escola

A partir da sala de aula dos adultos, os pais lavradores começaram a se movimentar para a

concretizar a ideia de uma boa escola para os filhos. Tornando-se assim, uma escola comunitária de ensino gratuito que corresponde à educação básica com mais de 200 alunos. Somados à anos de luta para o reconhecimento e permanência do projeto.


Dia a dia educacional

A escola abriga vários filhos de agricultores e são de lugares muito distantes. Inclusive na porta da escola tem um mapa que conceitua onde cada aluno mora, visualizando a distância para chegar. Os pais fazem grandes esforços para levar os filhos à escola. E tem fila de espera porque é algo realmente inovador”, conta Alice Momm.


Diferente do formato tradicional de ensino, a Escola dos Sonhos parte de uma educação popular através do interesse dos alunos em aprender. A partir daí desenvolvem-se projetos onde são incluídos os conteúdos programáticos exigidos para cada faixa etária, de forma que a escola tem a chancela e apoio do MEC. Porém, sem dividir em turmas ou séries, além de dispensar as provas ao final de cada período letivo, por exemplo.



(Foto CITeB: Encontro de Alice Momm, Diretora de Agricultura, Pesca e Aquicultura de Biguaçu com Leila Sarmento Coelho, Diretora da Escola dos Sonhos)



Ensino além dos livros

Os temas dos projetos são compartilhados, onde os educandos trocam conhecimento entre si e os professores passam a ser tutores, assim o acompanhamento é direcionado para o potencial de cada criança e jovem.


Além disso, o ensino é ampliado para o convívio em sociedade. Tudo na escola é discutido em conjunto, cabendo a todos os participantes as decisões em coletivo. Do elogio à crítica, da elaboração de soluções de problemas às tomadas de atitude.


Benefício de um, benefício de todos

Além da sala de aula, os educandos da Escola dos Sonhos percebem que todos os ambientes dentro e fora da escola são oportunidades de aprender. Assim, o ensino de temáticas rurais é uma constante no dia a dia, já que 68% das meninas e meninos que frequentam a escola são da zona rural.


O trabalho coletivo inclui diversas atividades, entre elas a horta mantida pelos educandos, educadores, pais e comunidade cuja produção se torna merenda. Além de praticar o Dia da Partilha, quando cada membro da comunidade escolar traz um pouco de alimento ou produtos de limpeza e higiene, enfim, algo que possa contribuir para a manutenção da escola.


(Foto Pedro Nau: Terreno e construção em andamento da sede da Escola dos Sonhos)



Ensino rural com sede própria

A Escola dos Sonhos ocupa um imóvel do Mosteiro Carmelo de Bananeiras, enquanto está construindo sua própria sede. Onde Pedro e Alice tiveram a oportunidade de acompanhar as obras. Trabalho esse que toda a comunidade coloca a mão na massa, mas não nas paredes. Pois a proposta é que seja uma escola sem paredes.


Uma vez que o conhecimento deve correr livre, e também estão numa região de semiárido onde as chuvas são escassas, o projeto da arquiteta voluntária tem como base os desenhos e desejos dos próprios alunos. Aliás, a planta da construção está acessível a todos colada na parede de onde funciona a escola hoje.


Pedro Nau, que além de Secretário de Agricultura também é um sonhador, se identifica com esse projeto. “Ver o sonho deles, que foi e é sonhado juntos, é inspirador. Os desafios, os percalços que enfrentaram e não desistiram, segurando uns nas mãos dos outros e juntos estão construindo a própria sede”, disse.


Alice Momm, que também é pedagoga, diz que “realmente é um sonho para nós que trabalhamos na agricultura, que sabemos da necessidade da permanência das crianças e jovens no campo, não influenciar ou levar a educação do jovem do campo para a cidade. Porque isso distancia cada vez mais a realidade do jovem do campo, como se a cidade fosse entrando no jovem”.


Fontes de Recursos

Um projeto desse tipo só se tornou possível por conta do compromisso da comunidade e mantê-lo não é tarefa fácil. O dinheiro para o pagamento de salário dos profissionais e dos custos de infraestrutura vêm de editais ou doações, de empresas ou pessoas físicas. A merenda escolar conta com o apoio municipal esporádico, o Dia da Partilha e outras doações, além da horta que está em desenvolvimento.


No dia da visita, conta Alice Momm, “fomos muito impactados pelo grupo gestor, formado por pais, voluntários, pedagogos, que estava reunido e pudemos conversar diretamente com eles. Trocar experiências, pegar contatos, enfim”, relata.


Educação Rural em Biguaçu

Pedro Nau revela que particularmente tem o sonho de fortalecer o ensino rural no município de Biguaçu, ainda que seja pela Secretaria de Agricultura através de capacitação técnica, para agricultores e seus filhos. “Levar o ensino é muito importante porque além de incentivar, de certa forma garante a permanência desses jovens no campo, conseguindo ter a sucessão rural”.


Para a Diretora de Agricultura, que se formou recentemente como técnica em agronegócio junto com Pedro, a verdade é que não existe realidade sem planejamento. “Não existe fato, escola ou objeto em si que antes não tenha sido sonhado. Voltamos entusiasmados e prontos para colocar no papel aquilo que é o nosso sonho para o município, para as crianças do meio rural de Biguaçu”, disse.


Essa experiência enriquecedora está no cerne do CITeB. Para João Braz, a expertise da Fundação está na realização de projetos “através da organização dos elementos de produção, da definição de um plano de trabalho que permita a execução com muito esforço, resiliência e, acima de tudo, percebendo o quanto é possível concretizar esses sonhos!”, diz.


A importância dessa troca é que “o nosso sonho foi fomentado por essa experiência”, diz Alice Momm. “Nós temos lugares muito próprios em nosso município para isso. Talvez não seja uma realidade para hoje, mas com certeza nosso coração foi alimentado por essa experiência”, analisa.


Esse meu sonho tinha se apagado, mas visitando o município de Bananeiras junto com Alice que sonha comigo, a ideia da escola reacendeu. E reacendeu com a luz de como fazer acontecer aqui em Biguaçu. Talvez não como uma escola de ensino básico, mas como lugar de capacitações. É sonhando que a gente traça um objetivo e vai conquistando”, vislumbra Pedro.


E que se concretize as palavras do poeta: sonho que se sonha junto vira realidade.



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